
Kalungas
Calunga ou Kalunga é o nome atribuído a descendentes de escravos fugidos e libertos das minas de ouro do Brasil central que formaram comunidades autossuficientes presentes em Goiás há cerca de 200 anos, ocupando uma área territorial que engloba os municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre.
Historicamente, os negros fugitivos do litoral e do arraial de Cavalcante se escondiam nos grotões e vãos da serra do Vale do Paraná, um território com clima, fauna e flora apropriados ao povo que ali sobreviveu escondido por mais de 150 anos sem contato com a civilização.
Mais recentemente, alguns estudos têm indicado a presença de calungas também em regiões do estado do Tocantins, nos arredores de Natividade e regiões isoladas do Jalapão.
Durante todo este período, houve miscigenação com índios, posseiros e fazendeiros brancos. Houve, também, forte influência cultural de padres católicos, dando lugar a uma cultura hibridizada, característica que se manifesta na alimentação e no forte sincretismo religioso da mistura do catolicismo e de ritos africanos.
O Sítio Histórico do Patrimônio Cultural Kalunga é uma das maiores riquezas culturais do município de Cavalcante, e considerado o maior Quilombo do Brasil em extensão territorial. Com mais de 20 comunidades nativas que preservam uma cultura remanescente dos quilombola. Atualmente são quatro os núcleos dos Kalungas: Vão de Almas, Vão do Moleque, Ribeirão dos Bois e Contenda.
Desde os tempos distantes de suas origens, o isolamento do povo Kalunga nos vãos do Rio Paraná foi sua defesa contra a sociedade dos brancos, onde os senhores de escravo podiam querer de novo reduzir os quilombolas à escravidão. Esse isolamento foi também sua força, que permitiu conservar seu modo de vida tradicional e sua identidade própria.
Fato importante a ser destacado é que os Kalunga são guardiões de inúmeros tipos de sementes de milho, arroz, mandioca, feijão, inhame, abóbora, cará e outros gêneros alimentícios, que ainda não sofreram com a invasão dos produtos geneticamente modificados. Os agricultores da Comunidade Quilombola Kalunga, em que pese a facilidade de acesso aos transgênicos, utilizam prioritariamente sementes crioulas selecionadas e guardadas ao longo de gerações.
Outra riqueza dessas comunidades são as manifestações culturais, representadas pelas rezas, folias e festas, que são tradições transmitidas de geração por geração, por meio da oralidade que se mantém até hoje nas comunidades, onde a religião predominante é a católica. Destacando-se: folia de santos Reis, folia de Santo Antonio, folia de Nossa Senhora das Neves, folia de Nossa Senhora Aparecida, de São Sebastião, do Divino Espírito Santo.
Nestas festas, durante os dias de giro, os moradores fazem uma doação chamada de esmola, que é uma forma de agradecer pelos milagres na suas vidas, a saúde, as farturas nas colheitas obtidas durante o ano, e também para ajudar nos festejos do próximo ano.
Locais e os santos homenageados nas principais festas que ocorrem na Comunidade Quilombola Kalunga:
06/01 - Festa dos Três Reis Santos, em Contenda, Vão de Almas,Vão do Muleque e Mimoso;
11 a 13/06 - Festa de Santo Antônio em Maiadinha e São Pedro;
18 e 19/07 - Festa de São Sebastião em Salina;
12 a 15/08 - Festa de N.S D’Abadia em Vão de Almas;
05 a 16/09 - Festa de São Gonçalo, N. S. do Livramento em Vão do Muleque;
11 e 12/10 - Festa de N. Sa. Aparecida em Ribeirão dos Bois.
Para entender um pouco melhor dessa rica cultura, sugerimos as leituras abaixo, de onde foram extraídas as informações aqui apresentadas.
http://bdm.unb.br/bitstream/10483/7260/1/2013_VilmarSouzaCosta.pdf
https://odonto.ufg.br/up/133/o/ANAIS.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calunga
Estando em Cavalcante, aproveite para conversar com os guias e moradores locais para conhecer essa parte importante da história do Brasil.